Exército dos EUA aprova nova granada ofensiva M111, a primeira em quase 60 anos

Granada ofensiva M111. Foto: X @USArmy
Granada ofensiva M111. Foto: X @USArmy

Nova arma aposta em onda de choque em vez de estilhaços e foi desenvolvida para combates urbanos e ambientes confinados.

O Exército dos Estados Unidos aprovou oficialmente a granada ofensiva M111, marcando a primeira introdução de um novo modelo desse tipo em quase seis décadas.

O anúncio foi feito na terça-feira pelo próprio Exército, que confirmou que o armamento recebeu autorização para Full Material Release (FMR), permitindo sua produção e utilização em toda a força.

A nova granada é a primeira ofensiva adotada pelo Exército desde 1968, quando modelos da era da Guerra do Vietnã passaram a equipar as tropas. Diferentemente da tradicional M67, a M111 foi projetada para incapacitar inimigos principalmente por sobrepressão da explosão, e não por fragmentação.

Projetada para combate urbano

A mudança de conceito tem relação direta com as experiências militares recentes, especialmente nas operações urbanas no Iraque e no Afeganistão, onde o uso de granadas de fragmentação pode representar riscos elevados para as próprias tropas.

Segundo o coronel Vince Morris, gerente de projetos do Exército para Sistemas de Combate Próximo, a M67 nem sempre era a opção ideal em ambientes confinados.

“Uma das principais lições aprendidas nos combates urbanos porta a porta no Iraque foi que a granada M67 nem sempre foi a ferramenta certa para o trabalho. O risco de fratricídio do outro lado da parede era alto demais”, explicou o oficial em comunicado.

De acordo com ele, uma arma baseada em onda de choque pode neutralizar rapidamente combatentes em salas, bunkers ou túneis, reduzindo o risco para forças amigas.

Substituta de granadas antigas

A M111 foi desenvolvida para substituir o corpo e o sistema da antiga série Mk3A2, uma granada ofensiva utilizada há décadas e que possui carcaça contendo amianto, fator que restringiu seu uso ao longo do tempo.

Entre as principais características do novo modelo estão:

  • Carcaça plástica, que é consumida durante a detonação
  • Redução de fragmentos perigosos após a explosão
  • Uso do mesmo sistema de espoleta da granada M67, facilitando a produção
  • Maior eficácia em ambientes fechados, como edifícios e túneis

Desenvolvimento e produção

O projeto da M111 foi desenvolvido no Picatinny Arsenal, em Nova Jersey, pelo Centro de Armamentos do Exército dos EUA, como parte de um programa mais amplo de modernização das munições utilizadas pelas forças terrestres.

Com a aprovação para liberação total de material, o Exército agora pode passar da fase de desenvolvimento para a produção em escala, permitindo que a nova granada seja distribuída gradualmente para unidades operacionais.

A adoção da M111 representa um passo importante na atualização do arsenal americano, refletindo as mudanças nas doutrinas de combate moderno, cada vez mais focadas em operações urbanas e ambientes confinados.

Fonte e imagens: U.S. Army – X @USArmy

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